(matéria publicada no Jornal Centro Cívico, novembro de 2007)
Segundo a antiga tradição do Yoga, existem três formas de energia que regem todos os fenômenos deste mundo, desde as manifestações da natureza ao comportamento dos animais e às atividades dos seres humanos. Estas energias são as forças da criação (rajas), da sustentação (sattva) e da destruição (tamas).
Se observarmos a vida atentamente, podemos perceber que tudo é uma sucessão destas três forças. Todos os seres vivos nascem e crescem, se mantêm durante certo tempo, e depois perecem. Nossas relações com as demais pessoas têm início, duração e fim. O próprio universo em que vivemos foi criado, agora se mantém, e em algum momento deverá se desfazer.
Explica-se que no nosso interior, estas energias também estão a atuar. Regidos pela força de tamas somos agressivos, às vezes letárgicos e preguiçosos, temos pouquíssimo discernimento entre o bom e o ruim e na maior parte das vezes cultivamos hábitos auto-destrutivos, os quais também são prejudiciais para os seres ao nosso redor.
Já quando regidos pela força de rajas, nos sentimos estimulados, apaixonados, desejosos de criar, produzir e conquistar. Todos os nossos empreendimentos na vida têm como combustível esta energia de criação. Porém, esta força em excesso nos faz demasiadamente obstinados e ansiosos, levando à euforia e à falta de lucidez, o que nos faz cair aos ditames da ignorância (tamas).
Se observarmos os modos da civilização moderna, vemos cada vez mais a prevalência destas duas forças, a de criação e de destruição, paixão e ignorância. Investimos constantemente nossas forças nos atos de criar e destruir, porém, devido à falta de conhecimento, experimentamos pouco equilíbrio. O desequilíbrio que criamos na natureza é um reflexo de nosso modo de vida desequilibrado.
Viver em equilíbrio (sattva) é uma arte. Requer o cultivo de virtudes. Sattva nos torna lúcidos, inteligentes, bondosos e sábios. Regidos por esta força somos capazes de perseverar em nossos empreendimentos, temos constância no que fazemos, e capacidade de nos manter equânimes diante das oscilações da vida. A estabilidade e o equilíbrio não se encontram fora de nós, senão que devem ser desenvolvidos internamente, para que possamos irradiar isso ao mundo.
Meditar, refletir, contemplar, cuidar, ser paciente e praticar o bem. Este é o caminho para uma vida de equilíbrio...
Mahamuni das (Marcos Teixeira Elias) é psicólogo, psicoterapeuta corporal, professor de Yoga e Meditação e diretor do centro de Yoga Gandiva Ashram.
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