(paralelos entre Reich e a tradição do Yoga)
Matéria publicada na Revista de Psicologia Corporal, Vol. 7, 2006
Marcos T. Elias (Mahamuni das)
Resumo: O presente artigo se propõe a conciliar a visão de corpo desenvolvida por Reich com a visão de corpo da milenar tradição do Yoga. Reich, ao desenvolver uma espécie de mapa do corpo humano, dividiu-o em sete grandes segmentos, cada um dos quais corresponde a diferentes atividades e diferentes aspectos da vida psíquica do organismo humano como um todo. Na tradição antiga do Yoga, também encontramos uma espécie de cartografia do corpo humano, correspondendo as suas diferentes funções e disfunções aos diferentes centros energéticos que se distribuem por segmentos específicos. Neste artigo buscamos esboçar um quadro conciliatório entre estes dois mapas da anatomia psicofisiológica do homem.
Palavras chave: chakras, couraça, Yoga, Reich, corpo.
Observamos que no último século as tradições ditas esotéricas do oriente têm invadido o mundo ocidental, e suas ricas fontes de conhecimento têm perdido o seu caráter iniciático para se tornar parte do conhecimento até mesmo popular. Tal foi o que aconteceu com o mapeamento sutil do corpo humano segundo a tradição antiga do Yoga, o qual tem suas bases na filosofia Samkhya. Dentre todos os conceitos e componentes do corpo sutil, talvez o que se tornou mais conhecido foi o conceito dos sete Chakras. Como tudo o que se agrega ao conhecimento popular, a correta compreensão da estrutura e funcionamento dos Chakras tem cedido lugar a uma série de especulações e proposições infundadas, e tem se somado a todo o montante de misticismo barato que a nossa própria cultura ocidental se encarregou de criar. Por isso, cabe aqui dar uma explanação realista acerca desta teoria dos Chakras, fundamentada segundo a própria tradição do Yoga. A partir de então, buscaremos correlacionar o funcionamento dos chakras sobre o corpo com o mapeamento emocional deste mesmo corpo segundo a visão Reichiana.
A palavra Chakra, em sentido literal, significa roda ou disco. Segundo a tradição, aplicada ao organismo humano, esta palavra designa grandes centros energéticos localizados em partes específicas do corpo, cuja principal função é absorver a energia do cosmos e distribuí-la ao organismo, para que este possa manifestar suas atividades vitais. Os Chakras assim o fazem distribuindo a energia vital para as diferentes glândulas, centros nervosos e órgãos do corpo.
Segundo Harish Johari:
Chakras são centros psíquicos que não podem ser descritos sob um ponto de vista materialista ou fisiológico. Assim como um quadro não pode ser descrito por linhas retas e curvas, e pontos de luz e sombra – mesmo assim isto estaria relacionado à estrutura básica da pintura – similarmente os chakras não podem ser descritos em termos de psicologia, fisiologia ou qualquer outra ciência física. São centros de atividade da força vital sutil chamada sukshma prana (prana sutil). Eles estão inter-relacionados com os sistemas nervosos parassimpático, simpático e autônomo e, conseqüentemente, todo o corpo está relacionado com eles. (Johari, 1995, p.23)
São inúmeros os Chakras que compõem o corpo energético (corpo cujo nome em sânscrito é "Pranamayakosha", ou camada de Prana). Porém, dentre todos eles, sete são os Chakras principais, os quais se distribuem ao longo da coluna desde sua base até o alto da cabeça. Aqui podemos traçar já a nossa primeira importante observação, que é a de que Reich de alguma forma intuiu que a energia cósmica, a qual ele chamou de Orgone, fluía pelo organismo principalmente em sentido vertical, ao longo do eixo central do corpo. De acordo com o conhecimento milenar do Yoga, o Prana, a mesma energia cósmica, flui pelos canais chamados “Nadis” ao longo deste mesmo eixo central, tanto em sentido ascendente quanto descendente, passando pelos sete principais Chakras.
Segundo a tradição, estes sete Chakras principais regem não apenas as atividades fisiológicas do organismo, atuando principalmente sobre suas glândulas endócrinas, mas também regem as diferentes nuanças da atividade mental, o que vai de acordo com a nossa compreensão de que ambas as atividades, a saber, atividade endócrina e atividade mental, estão diretamente interligadas.
A começar pela base da coluna e seguindo em sentido ascendente, os sete chakras se distribuem pelo corpo da seguinte forma e correspondem às seguintes funções:
| Chakra | Localização | Glândula | Sistema fisiológico | Latências mentais |
|---|---|---|---|---|
| Sahásrara | Topo da cabeça | Pineal | Sistema nervoso central | Intuição, impulso de evolução e transcendência |
| Ájña | Intercílio | Pituitária | Sistema nervoso autônomo | Intelecto e conhecimento |
| Vishuddha | Pescoço | Tireóide | Sistema respiratório | Comunicação e expressão |
| Anáhata | Peito | Timo | Sistema circulatório e imunológico | Centro das emoções |
| Manipura | Abdômen | Pâncreas | Sistema digestivo | Atos da vontade |
| Swádhistána | Pouco acima dos genitais | Gônadas | Sistema reprodutivo | Sexualidade e sensualidade |
| Múládhára | Base da coluna | Supra-Renal | Sistema excretor | Instintos de sobrevivência |
* Fontes extraídas de Kupfer (2001) e Johari (1995)
Deste quadro podemos observar como os chakras suprem todas as principais glândulas endócrinas do corpo, e regem todos os tipos de atividades vitais e psíquicas.
Aprofundando nossa visão sobre este modelo, encontramos alguns conceitos específicos que se referem à estrutura da mente e que estão ligados aos chakras. O primeiro e mais profundo conceito é chamado de Samskára, que se refere aos condicionamentos mais arraigados à estrutura da personalidade, se apresentando enquanto tendências, crenças e formas de se experienciar a realidade, tendo suas raízes no inconsciente. Este conceito poderia ser talvez comparado ao conceito de Complexos na psicologia ocidental. A partir dos Samskaras, que são as raízes dos conteúdos mentais, surgem os pensamentos, sensações e sentimentos que se apresentam à consciência, os quais são chamados de Vrittis. A palavra Vritti pode ser traduzida, em sentido literal, pelo termo onda ou ondulação, e se refere às modificações dos conteúdos da consciência, que em geral se apresentam de forma cíclica ou repetitiva.
Segundo Pedro Kupfer:
O corpo funciona como um receptor de prána cósmico, captando energia do ambiente através dos chakras, que vibram em consonância com o samskára de cada um. Samskára é o conjunto das tendências subconscientes, principal causa dos condicionamentos humanos. [...] Através das práticas, agindo sobre os centros de força, podemos controlar as propensões da mente e sublimar o samskára. (Kupfer, 2001, p.188)
Se pudermos classificar ou enumerar os diferentes tipos de Samskaras e Vrittis, entenderemos que eles funcionam sobre a regência de um Chakra específico. Por exemplo, conforme vemos no quadro acima, o Muladhara Chakra (o chakra da raiz) rege os instintos de sobrevivência. Daí depreendemos que o substrato energético para sentimentos como o de medo, ou para impulsos como a agressão, provém deste chakra específico. Por outro lado, o sentimento de amor ou o sentimento de mágoa encontram seu substrato energético no Anáhata Chakra (o chakra do coração). Por sua vez, a atividade mental de adquirir conhecimento e manifestar discernimento tem seu substrato energético no Ajña Chakra (o chakra da fronte). Não será possível aqui enumerar todos os vrittis e samskaras, embora, partindo destes mesmos princípios expostos acima, o conhecimento do Yoga nos dê uma visão muito ampla e pormenorizada de todo este quadro de latências mentais em correspondência aos chakras.
Devemos então compreender que, de acordo com a visão da filosofia de Yoga e Samkhya, tudo pode ser descrito como sendo diferentes manifestações ou freqüências da mesma energia, chamada de Prana Shakti. Desta forma, a energia que compõe os chakras, a mente e seus conteúdos, bem como o corpo físico, é absolutamente a mesma energia, manifestada apenas em diferentes níveis vibracionais. Deste modo, estes três campos, a saber, os chakras (centros energéticos), a mente e o corpo físico estão absolutamente interconectados.
Para o Yoga, se queremos então modificar nossa condição física, nossa estrutura mental ou nosso padrão energético, devemos praticar diferentes processos através dos quais atuamos sobre estas esferas. Estes diferentes processos são os diferentes caminhos do Yoga, com suas variedades de ferramentas, tais como: asanas (movimentos com o corpo e permanência em diferentes posturas), pranayamas (diferentes formas de respiração e direcionamento da energia vital), mantras (atividades ligadas aos sons que modificam os padrões mentais), meditação (tomada de consciência dos Samskaras e Vrittis, os padrões subconscientes e inconscientes), etc...
Reich deu um grande salto sobre a psicologia ocidental ao descobrir as sutilezas do corpo humano, as suas condições energéticas, e traduzir isto para a linguagem científica. Sua obra encontra-se com a tradição do Yoga no sentido em que une o corpo e a mente através do postulado de uma energia única, substrato de ambos, a qual chamou de Orgone. Ao investigar o fluxo desta energia pelo corpo, relacionando-a a estrutura de personalidade e aos condicionamentos e padrões mentais, Reich traçou um modelo de diferentes estruturas de caráter de acordo aos bloqueios e condicionamentos típicos à que os diferentes seres humanos estão submetidos. Segundo Volpi (2003a, p.124), "O caráter final de um indivíduo é, portanto determinado, de um ponto de vista específico, por aquilo que é a fixação de sua libido, dependendo de onde a energia foi bloqueada: isto explica a variedade dos traços caracteriais".
Foi então que Reich postulou o conceito de couraça e mapeou o corpo em sete segmentos ou anéis. O conceito de couraça se refere a um tipo de tensão crônica aplicada ao corpo, a qual tem sua origem em substratos ou condicionamentos psíquicos fortemente arraigados no indivíduo, o que bloqueia o fluxo natural de energia pelo organismo, ocasionando diferentes patologias, de acordo à sua localização. Os diferentes anéis de couraça são as formas típicas em que estas tensões crônicas se distribuem pelo corpo.
Observando que a energia Orgone fluía no sentido vertical pelo corpo – conceito que, como vimos, é semelhante à visão do Yoga - Reich pôde observar que o organismo humano poderia ser subdividido em sete segmentos, os quais foram comparados a anéis que cortam a linha vertical do corpo nos sentidos horizontais. Estes diferentes anéis, ao manifestarem o encouraçamento, impedem o fluxo tanto ascendente como descendente da energia vital, criando disfunções no organismo como um todo devido à má distribuição e circulação da energia pelo mesmo.
Segundo Reich (2001), os sete segmentos de couraça são classificados, em sentido descendente, da seguinte forma: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. As tensões manifestas ou não em cada um destes segmentos são a expressão de substratos mentais arraigados à estrutura de caráter. É desta forma que, resumidamente, podemos compor o seguinte quadro:
| Segmento ou anel | Partes anatômicas | Gênese do bloqueio | Comportamentos básicos | Biopatias |
|---|---|---|---|---|
| Ocular | Sistema nervoso, pele, olhos, ouvido e nariz | Gestação, parto e primeiro ano de vida | Medo do contato, fantasia, esquiva, pânico, fobias, desorientação, surpresa, embaraço... | Doenças do sistema nervoso (Parkinson, esclerose). Doenças do sistema muscular (distrofia muscular) |
| Oral | Maxilares, boca, língua, lábios, dentes, esôfago | Amamentação e desmame | Medo da rejeição, dependência, depressividade, raiva, comoção, agressividade, ressentimento | Bruxismo Problemas ortodônticos Depressão Bulimia, Obesidade secundária |
| Cervical | Pescoço, traquéia e glândulas tireóides | Controle dos esfíncteres e ou descoberta dos genitais | Medo da punição, de cair ou de perder o controle, submissão, moralismo, controle, arrogância, orgulho | Torcicolos, Hipertireoidismo e hipotireoidismo |
| Torácico | Peito, pulmões e coração | Descoberta dos genitais Medo da castração | Medo da castração e do fracasso Prepotência Ambivalência entre amor e ódio Narcisismo | Problemas cardíacos Problemas pulmonares Doenças do sistema imunológico |
| Diafragmático | Diafragma, estômago, fígado, pâncreas e baço | Controle dos esfíncteres | Medo da punição Submissão Masoquismo Ansiedade, insegurança | Lordose, problemas do estômago, pâncreas e baço |
| Abdominal | Abdômen, intestino delgado, grosso e rins | Controle dos esfincteres | Medo da punição, agitação, cólera, impulsividade | Problemas intestinais e renais |
| Pélvico | Pelve, membros inferiores, bexiga, genitais, nádegas e quadril | Etapa de identificação, formação do caráter | Sedução, destrutividade, impotência, moralismo, autoritarismo | Disfunções sexuais |
* Fontes extraídas de Volpi e Volpi (2003a; b), Reich (2001), Navarro (1995)
Seria uma atitude muito simplista e pouco realista traçarmos uma correspondência direta entre estas duas formas de subdividir o organismo humano, como se os sete segmentos de couraça de Reich e as regiões regidas pelos sete chakras da filosofia Yogue fossem diretamente equivalentes. Porém, acreditamos que algumas correspondências muito pertinentes podem ser feitas, de modo que esta análise poderá contribuir para nossa compreensão mais aprofundada da estrutura e funcionamento do homem como um todo.
Podemos observar que o substrato de base para a formação da couraça, seja ela em qualquer um dos segmentos, remete aos sentimentos mais primitivos de medo e insegurança, sendo a couraça exatamente uma reação ou mecanismo de defesa contra algum tipo de perigo. Segundo Volpi:
Quando uma situação aversiva se faz presente, o indivíduo, para se proteger, contrai toda a sua musculatura, a qual permanece nesse estado até que o ambiente propicie um relaxamento. Caso isso não ocorra ou as contrações decorrentes desses estímulos aversivos sejam constantes, a musculatura irá permanecer em um estado de tensão, como se fosse um “alerta”. A essa rigidez, Reich deu o nome de couraça muscular, que serve como uma proteção contra estímulos desagradáveis provindos do meio. (Volpi, 2003, p.22-23)
O que contudo poderia ser apenas uma defesa imediata contra algum tipo de perigo real, acaba se tornando uma defesa permanente e crônica baseada em uma crença arraigada à personalidade de que aquele perigo ainda se faz presente. Desta forma, o estímulo que em alguma etapa do desenvolvimento fora um estímulo real, proveniente do meio externo, passa a constituir um estímulo interno, baseado em uma crença latente e inconsciente. Daí o mecanismo de encouraçamento ser um mecanismo neurótico: o indivíduo encouraçado sustenta sua reação de defesa contra algum tipo de ameaça que ele julga iminente, mas que nem sempre se faz presente na realidade, mas é criada dentro dele mesmo.
Se transpusermos estes fatos para a linguagem do Yoga, é devido á um tipo de samskára, uma latência mental inconsciente, que o mecanismo da couraça se sustenta. Citando um exemplo do quadro das couraças, é devido a um medo constante de punição que a tensão crônica no diafragma se faz presente. Neste caso, a crença inconsciente de que a qualquer momento uma punição advirá é o samskára, o medo sentido a nível consciente é o vritti, e o sintoma expresso no corpo, a saber, a tensão crônica do diafragma, a couraça. Como substrato que fornece a energia de base, sustentando todo este mecanismo, encontramos o muladhara chakra (o chakra da raiz), que conforme vimos no quadro dos chakras, está relacionado aos sentimentos mais primitivos tal como o medo. Assim, para o mecanismo de encouraçamento da região diafragmática, encontramos a atividade do muladhara chakra, que se encontra na base da coluna. Neste caso, se soubermos trabalhar sobre este chakra, flexibilizando sua estrutura energética, podemos sublimar o samskára envolvido e reverter ou flexibilizar o encouraçamento manifesto na região do diafragma.
Vamos tomar um outro exemplo. Se nos remetermos ao mecanismo de encouraçamento da região oral, encontramos sua etiologia em comprometimentos na fase de amamentação e desmame. O sentimento que está em jogo neste momento é o de sentir-se aceito e amado ou ao contrário, sentir-se rejeitado. Um tipo de comprometimento é quando a falta de atenção materna instaura na criança uma crença de que ela não é amada ou aceita. Daí o sintoma constante do sujeito oral de se colocar sempre em situações de dependência, tentando inconscientemente suprir sua crença de não ser aceito, buscando ser cuidado, fazendo com que os outros tenham de provar o amor que sentem por ele.
Se traduzirmos esta situação do oral para a linguagem do Yoga, vemos que o samskára é a crença inconsciente de não ser aceito ou amado. Os vrittis que se apresentam à consciência são a constante necessidade de forjar situações de dependência, criando atitudes que forçam os demais a provar o amor que sentem para com a pessoa. As variedades de somatização se traduzem, por exemplo, em compulsão para comer, na tentativa de sentir-se “suprido”, ou ainda na manifestação da raiva em forma de tensão nos maxilares, como reação secundária ao fato de não se sentir correspondido em sua expectativa de amor. O chakra que está atuando para fornecer energia a este mecanismo todo, neste caso se trata do anáhata (chakra do coração) que está vinculado à manutenção dos sentimentos de amor, ódio ou raiva em suas diversas expressões. Deste modo, se soubermos atuar sobre este chakra, podemos flexibilizar o mecanismo do encouraçamento.
Prosseguindo neste tipo de análise, poderíamos traçar muitos quadros de correspondências entre os diversos tipos de encouraçamento, seus fatores psicológicos em questão e a atuação dos chakras que sustentam energeticamente estes mecanismos. Poderíamos assim nos prolongar citando mais exemplos, contudo cremos ter já delineado um modelo básico de compreensão das inter-relações que podemos fazer entre o conhecimento do Yoga e a psicologia de Reich.
A este ponto podemos então nos perguntar para que fazemos toda esta gama de inter-relações? A resposta atende aos pressupostos funcionalistas postulados por Reich: “o funcionamento precede e induz o desenvolvimento estrutural dos órgãos e não o contrário” (Reich, 2003, p.318), e vai de acordo com a tradição do Yoga quando esta nos diz que o sutil precede o denso. Estudamos então a manifestação da energia sutil porque entendemos que o que se manifesta no plano físico visível é já a conseqüência de um processo energético invisível. Desta forma, se queremos modificar o plano físico, restituindo-lhe sua harmonia funcional, devemos atuar sobre a energia que lhe é subjacente e o precede.
Trazendo uma citação de Reich:
O conceito clássico mecanicista não oferece nenhuma conexão causal entre movimento de energia e forma organísmica. A biofísica orgone pode provar a existência de uma conexão funcional entre a forma do movimento e a forma da matéria viva. (Reich, 2003, p.217)
Aqui Reich, em concordância com a visão do Yoga, nos deixa entender que atuando sobre o movimento energético, podemos modificar as formas assumidas pela matéria. E se entendemos que há uma conexão funcional entre energia e matéria, podemos também partir do movimento da matéria, a saber, do corpo físico, para modificar o movimento da energia. É desta forma que, numa compreensão mais ampla, podemos acreditar que atuando seja sobre o corpo, seja sobre o psiquismo, seja diretamente sobre a energia dos chakras, podemos modificar os padrões que se manifestam e se prolongam por todas estas esferas, por estarem elas em uma conexão funcional.
Neste artigo não nos foi possível explicitar, por motivos de tempo e espaço, os métodos pormenorizados através dos quais a ciência do Yoga concebe o trabalho sobre os chakras e o corpo sutil, da mesma forma como não nos atemos aos procedimentos práticos da psicoterapia corporal reichiana. Contudo, cabe-nos apenas ressaltar que ambas as práticas podem contribuir muito uma com a outra, uma vez que possamos conciliar seus postulados fundamentais. Este artigo buscou traçar um esboço inicial de como realizar esta conciliação, e esperamos que este esforço seja apenas o começo de uma pesquisa mais aprofundada.
Marcos Teixeira Elias (Mahamuni das)
Psicólogo junguiano, formado em psicologia pela Universidade Federal do Paraná, cursando especialização em Psicoterapia Corporal pelo Centro Reichiano, professor de Yoga, co-diretor do centro de Yoga Gandiva Ashram, membro da Sociedade Internacional para Consciência de Krishna.
JOHARI, H. Chakras: centros energéticos de transformação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.
KUPFER, P. Yoga Prático. Florianópolis: Fundação Dharma, 2001.
NAVARRO, F. Caracteriologia pós-reichiana. São Paulo: Summus,1995.
REICH, W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
REICH, W. O Éter, Deus e o Diabo / A Superposição Cósmica. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
VOLPI, J. H.; VOLPI, S. M. Reich: da psicanálise à análise do caráter. Curitiba: Centro Reichiano, 2003a
VOLPI, J. H.; VOLPI, S. M. Reich: da vegetoterapia à descoberta da energia orgone. Curitiba: Centro Reichiano, 2003b
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