Por Camila Reitz
O Ashtanga Vinyasa Yoga passa por ser o mais exigente no plano físico de todos os métodos de Yoga que se conhecem hoje em dia. Foi desenvolvido por Sri Tirumali Krsnamacharya, de Mysore, e é ensinado até hoje pelo seu discípulo Pattabhi Jois, de 89 anos de idade. Krsnamacharya é o mestre de BKS Iyegar, que começou na década de 1930 praticando Ashtanga Vinyasa, mas acabou por desenvolver um trabalho própriio, em cima das posturas das três séries originais so Ahtanga Vinyasa (que, aliás, hoje são divididas em seis). Pattabhi Jois e alguns memsbros de sua família continuaram ensinando da mesma forma que aprenderam do mestre e hoje em dia esta forma de praticar cativou muitos ocidentais que vêem nela uma alternativa mais instigante e desafiante que as formas tradicionais de trabalhar o corpo através do Hatha Yoga.
O método consiste em seis séries de asanas, exercícios psico-físicos dos Yoga, que se fazem como sanduíche. O início e o fim são os pães do sanduíche; as diferentes séries, que têm graus de dificuldade crescentes, são o recheio. Todas as séries sempre se iniciam com cinco surya namaskar A e cinco surya namaskar B, para acordar e preparar o corpo, e coordenar a respiração com o movimento.
Ao terminar essa parte da prática fazemos as posturas em pé, e logo após isso fazemos as posturas da primeira, segunda, terceira, quarta, quinta ou sexta série. Para concluir fazemos os asanas finais, com posturas de inversão e pranayama. Devemos começar a praticar Ashtanga Vinyasa utilizando a primeira série, pois os asanas desta seqüência preparam o corpo para as próximas séries, utilizando na sua manioria exercícios de flexão da coluna.
Às vezes fica difícil praticar Yoga, mas principalmente pela falta de tempo e foco. É fácil encontrar algo mais importante para fazer do que praticar, é fácil pensar que estamos cansados para não praticar. Difícil mesmo é se manter inteiro durante a prática, difícil é estar presente com corpo, mente e respiração. Mas as técnicas estão aí para nos ajudar a manter essa presença.
Quando vierem pensamentos que estejam afastando você da prática, repita mentalmente: ‘ujjayi pranayama’ e verifique se está fazendo a respiração sussurrante; pense ‘mula bandha, uddiyana bandha’, e verifique se você está de fato fazendo as contrações; diga mentalmente ‘drsti’ e preste atenção ao ponto em que você olhar. Cada postura tem um determinado ponto que o olhar deve se voltar.
Desenvolva uma voz interna que faça com que estes comandos sejam mais altos do que pensamentos que afastan você da prática. O tempo que você usa para tomar consciência de cada uma dessas técnicas é exatamente o tempo de permanência em cada postura, de cinco a oito respirações. E se você continuasse pensando em todas aquelas coisas que surgem durante a prática provavelmente esse tempo seria suficiente para ir até a cozinha comer, enfim, parar de praticar ou quem sabe praticar totalmente no automático.
Acontece pelo menos um pensamento a cada inspiração e outro a cada expiração, e assim quanto mais lenta for a respiração, menos pensamentos teremos. Faça com que o ujjayi pranayama seja mais alto que seus pensamentos, faça sua mente trabalhar durante a prática, deixe a mente ocupada em observar o que está acontecendo agora. Treinar a voz interna é essencial para melhorar o sadhana.
Consigo perceber que cada técnica tem um valor super importante na prática. Percebo que, ao executar o nasagra drsti, é praticamente impossível pensar em outra coisa, observe ao executar o seu asana olhando na ponta do nariz (se você sentir tontura, tente olhar alguns centímetros à frente dele). Observe o que acontece. Ao praticar nasagra drsti leve a atenção para a respiração. Perceba a experiência.
Vinyasa é a sincronização do movimento com a respiração. É um elemento que permeia toda a prática de Astanga Yoga, e o que dá a fluidez e unidade à prática. A série de movimentos do surya namaskar está totalmente conectada através dos vinyasas. Estes podem fazer-se entre um asana e outro ou entre cada uma das posturas que se fazem em ambos os lados, como torções ou flexões sobre uma das pernas.
O vinyasa serve para acordar o corpo, lembrar da respiraçã e preparar para a próxima postura. Reequilibrar a energia, é como “pentear” a energia acumulada em certas partes do corpo na postura anterior, preparando o caminho para a próxima postura. O vinyasa tem um papel muito importante em manter o calor do corpo. E calor é manifestação de prana, de força vital.
Outro ponto muito importante do vinyasa é que é impossível executá-lo sem respirar, sendo assim volta sua atenção à respiração. E isso é extremamente benéfico, muitas vezes não conseguimos prestar atenção na respiração, principalmente praticantes iniciantes e em posturar de difícil execução. A respiração é o termômetro da prática, se ela não estiver fluída, talvez seja o momento para ir mais devagar, ou mesmo finalizar a prática.
Existem algumas maneiras de fazer o vinyasa, nemuma é mais certa ou melhor que a outra; você pode escolher como fazer. Mas preste muita atenção, principalmente no final da série, pois você pode estar cansado e se machucar fazendo o vinyasa. Ouça seu corpo. Faça o jump thru (salto vindo desde o adhomukha svanasana, passando as pernas através das mãos) com muita atenção e consciência, sempre fazendo mula e uddiyana bandha, as contrações dos esfíncteres e do baixo ventre.
Se você não tiver um bom preparo físico cardio-respiratório, é provável que se canse demasiado fazendo todos os vinyasas. No começo vá de leve, preparando o corpo. A prática tem fases em que evolui, outras fases que involui e muitas vezes nos deparamos em um platô. O importante é não se apegar aos resultados da prática, nem se emplogar demais quando está indo bem, nem se decepcionar quando está difícil praticar. Igualmente importante é continuar, ter freqüência, dedicação, respeito pelo Yoga e perceverança.
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