Mahamuni das (Marcos Elias)
Vivemos em um momento da história que traz a marca da transformação. Mudanças sociais, ambientais, econômicas e culturais parecem se dar de forma tão rápida que até parece que o planeta está girando mais depressa. Boa ou ruim, sabemos apenas que esta “correria” nossa do dia a dia, com a qual tentamos nos acostumar, tem produzido uma série de efeitos colaterais que afetam nossa saúde física e psicológica.
Como medidas paliativas, buscamos compensar nossas doses diárias de instabilidade e incertezas nos entregando cegamente ao mundo do entretenimento e do consumo. Shoping centers, junk food, álcool, anti-depressivos e ansiolíticos são a garantia de uma felicidade que não sabemos mais onde encontrar. Estamos nos entregando comodamente às promessas de alívios imediatos, da felicidade que pode ser comprada, e estamos nos esquecendo dos valores que realmente trazem paz e alegria ao coração.
A meta da vida humana é a auto-realização, o desenvolvimento de nossos dons e potencialidades, o enriquecimento de nossa personalidade rumo à sabedoria, ao amor verdadeiro e à paz de espírito. Nascemos com um estado de consciência, e podemos deixar este mundo em um estado de consciência superior ou inferior. Se nossa vida é orientada para o crescimento pessoal, deixamos o mundo em um estado de consciência mais puro e elevado, sentindo que o propósito de nossas vidas foi cumprido. Se, contudo, degradamos nossa consciência, deixando-a entregue aos vícios, aos maus hábitos, aos pensamentos e sentimentos destrutivos que trazem infelicidade a nós mesmos e ao próximo, com certeza o resultado de nossas vidas será a frustração.
Nesta época de intensa correria, estamos nos esquecendo dos cuidados com a consciência e o coração, e nos prendendo cada vez mais aos valores materialistas da beleza física, do dinheiro, do poder e do desfrute imediato. Vivendo esta vida superficial de empobrecimento do espírito, fica muito claro o porquê de sofrermos hoje de tantas ditas “doenças mentais”. Depressão, ansiedade, pânico, insônia, são sintomas de que estamos distantes de nossa natureza espiritual sadia, são indícios da falta de cuidado que estamos tendo para conosco, mostrando que nossas atenções, nossos valores e nossos esforços estão sendo orientados para a direção errada.
Havia um mestre yogue do século XVI, que comparava a consciência humana a um espelho. Ele dizia que este espelho estava sujo, e que era preciso limpá-lo para que ele pudesse refletir perfeitamente o brilho de nosso verdadeiro ser. Assim como o corpo precisa ser diariamente limpo para ficar saudável, nossa mente e coração também precisam estar limpos para que estejamos em paz e felizes. Assim, deixo apenas esta pergunta: o que você tem feito para limpar o espelho da sua consciência e de seu coração?
Que nossos pensamentos, sentimentos e ações sejam nossos amigos, para que possamos alcançar verdadeira paz e sabedoria.
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